Pesquisa da Abrasel aponta que quase metade dos estabelecimentos já comercializa vinhos, mas destaca que capacitação das equipes pode impulsionar ainda mais as vendas
A venda de vinhos nos bares e restaurantes brasileiros está em crescimento e se consolidando como uma prática cada vez mais presente no setor de alimentação fora do lar. Segundo a Pesquisa Nacional de Conjuntura Econômica da Abrasel, realizada em junho com 2.649 empreendedores, 48% dos estabelecimentos afirmam vender vinhos — uma oportunidade promissora para ampliar receitas e oferecer uma experiência mais completa ao cliente.
A garrafa de 750 ml é a campeã em presença nos cardápios, estando em 93% dos estabelecimentos que vendem a bebida. Ela também lidera as vendas, sendo comercializada por 90% dos negócios. Em seguida vem a opção por taça, disponível em 65% dos bares e restaurantes. Esse formato, aliás, vem se mostrando uma importante porta de entrada para o público que deseja experimentar vinhos com preços mais acessíveis: 80% dos estabelecimentos vendem taças por até R$ 30. Já entre as garrafas, 43% são vendidas por valores entre R$ 81 e R$ 120.
Apesar do avanço, o vinho ainda aparece atrás da cerveja (vendida por 74% dos estabelecimentos) e dos destilados (50%) na preferência dos consumidores. Entre os bares e restaurantes que não comercializam vinho (52%), os principais motivos são a percepção de que a bebida não se encaixa no perfil do negócio (51%) e a baixa demanda (32%). No entanto, a pesquisa mostra que a ausência de conhecimento sobre o produto pode ser um fator-chave para essas decisões: 13% dos estabelecimentos que não vendem vinhos afirmaram não ter familiaridade com a bebida.
O consultor e especialista em vinhos Diego Bertolini destaca que a falta de preparo da equipe impacta diretamente na decisão de compra dos clientes. “Muitos estabelecimentos alegam que não vendem vinho por falta de demanda. Mas essa ‘falta’ na verdade está frequentemente relacionada ao pouco conhecimento da equipe ou à ausência de estímulo no ponto de venda. Quando o garçom sabe explicar, sugerir e harmonizar, o vinho naturalmente passa a vender mais”, afirma.
Bertolini também enfatiza o potencial do vinho para aumentar o tíquete médio dos estabelecimentos: “O vinho é uma bebida que agrega valor à experiência gastronômica. Quando bem trabalhado no cardápio, com opções por taça e harmonizações simples, ele pode aumentar significativamente o tíquete médio. A venda de vinho em taça, em especial, é uma grande oportunidade, e ainda pouco explorada.”
Um dos formatos apontados como promissor é o bag-in-box, uma embalagem prática e econômica que permite servir vinhos em taça com menos desperdício e boa margem de lucro. Apesar disso, apenas 15% dos estabelecimentos utilizam esse modelo.
Compra e armazenamento acessíveis
Sobre a aquisição, 71% dos estabelecimentos compram vinhos de distribuidoras, seguidos de importadoras (37%) e atacarejos (26%). Quanto ao armazenamento, 42% utilizam adegas climatizadas, 31% usam estoques secos e 29% refrigeradores comuns.
Segundo Bertolini, é possível começar a vender vinhos mesmo sem estrutura sofisticada. “Em muitas regiões quentes do Brasil, como no Nordeste e no Centro-Oeste, há bares e restaurantes com grande volume de venda de vinho que utilizam os mesmos equipamentos de refrigeração que já têm para água, refrigerante ou cerveja”, pontua.
Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, os dados mostram que há espaço para crescer. “O vinho está ganhando espaço, mas ainda é visto como um produto de nicho. Com ações de capacitação, parcerias com fornecedores e formatos mais acessíveis, é possível ampliar a presença da bebida no setor e oferecer uma experiência mais rica ao consumidor”, conclui.
Fonte: Abrasel