Aumento recorde de visitantes estrangeiros fortalece a alimentação fora do lar e amplia expectativas para o setor
O turismo internacional vive um momento histórico no Brasil e os reflexos desse cenário já impactam diretamente a cadeia produtiva ligada à alimentação fora do lar. Em 2025, o país recebeu mais de 9 milhões de turistas estrangeiros, número que representa um crescimento expressivo em relação ao ano anterior e supera com folga as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Turismo. A perspectiva para 2026 é ainda mais positiva, com projeção de novo recorde no fluxo de visitantes.
Esse movimento fortalece bares e restaurantes em destinos turísticos, elevando o volume de clientes, o tíquete médio e a busca por experiências gastronômicas que dialoguem com a cultura local. De janeiro a outubro de 2025, os visitantes internacionais injetaram cerca de US$ 6,6 bilhões na economia brasileira, beneficiando setores como hospedagem, transporte, comércio e, de forma significativa, a restauração.
O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, atribui o desempenho histórico ao reposicionamento estratégico do Brasil no mercado internacional e ao uso de inteligência de dados na promoção dos destinos. “O Brasil está na moda, e em 2026 o turista estrangeiro busca vivências autênticas e sustentáveis, algo que o país provou que entrega com excelência. Nós apostamos em mostrar ao mundo a diversidade de experiências que o Brasil pode oferecer, do ecoturismo ao afroturismo, de nossas festas populares à gastronomia, e trabalhamos conectando destinos específicos aos mercados certos. Esses fatores continuam mais pertinentes do que nunca”.
Segundo Freixo, o perfil do visitante estrangeiro está cada vez mais orientado pela experiência, o que reforça a conexão direta com o setor de alimentação fora do lar. “O turista internacional quer viver o destino e isso se reflete em tendências de consumo bem claras. Por exemplo, ele tem interesse em conhecer a nossa gastronomia, buscar sabores locais, pratos típicos, ingredientes brasileiros, conhecer chefs, feiras e mercados públicos e viver experiências regionais”.
Ele destaca ainda o papel da gastronomia como ativo turístico. “A gastronomia é cultura servida à mesa: ela é parte do destino, não um detalhe. Hoje, é um dos principais motivadores de viagem no mundo, e o Brasil tem uma das culinárias mais diversas do planeta. O principal desafio é a estruturação do produto turístico gastronômico. Trabalhamos para transformar o nosso prato em roteiro, trazendo para a experiência não apenas os sabores, mas os saberes tradicionais que guiam nossos chefs”.
Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o cenário consolida oportunidades concretas para negócios de todos os portes. O presidente da entidade, Paulo Solmucci, avalia que o aumento da circulação de renda nos destinos favorece diretamente o setor. “Estamos vivendo um momento muito positivo para a alimentação fora do lar. Esse fluxo de estrangeiros pode beneficiar negócios de todos os portes, do restaurante de alta gastronomia ao bar de bairro, do café familiar ao microempreendedor que vende uma experiência típica”.
Ele ressalta, contudo, que a transformação desse potencial em resultados depende de preparo e gestão. “O aumento da circulação de renda nos destinos cria oportunidades concretas de crescimento. O crescimento do turismo internacional já se traduz em mais mesas ocupadas e tíquete médio maior, mas esse ganho aparece de forma mais consistente quando o empreendedor está preparado. O nosso papel na Abrasel é apoiar para que esse potencial vire resultado”.
Na prática, o impacto do turismo internacional já é percebido por empreendedores. Em Manaus, a proprietária do restaurante Caxiri, Débora Shornik, relata que o fluxo de estrangeiros contribuiu para fortalecer parcerias com fornecedores locais e aprimorar a experiência oferecida aos clientes. “O turista é um investidor cultural. Ele quer se sentir respeitado, valorizado e ter uma experiência de qualidade e excelência. Os clientes de outros países costumam fazer as suas reservas com antecedência e não buscam simplesmente uma entrega dentro do esperado, eles querem ser surpreendidos. Eles querem o encantamento, e isso é um fator decisivo para fidelização e reputação online”.
Comportamentos como a busca por ingredientes locais, interesse por narrativas culturais e atenção às avaliações online exigem dos estabelecimentos estratégias mais estruturadas. Cardápios bilíngues, meios de pagamento acessíveis, reservas facilitadas e equipes preparadas para um atendimento multicultural passam a ser diferenciais competitivos.
Além disso, parcerias com hotéis, guias e operadoras de turismo ampliam a presença dos bares e restaurantes nos roteiros dos visitantes ainda na fase de planejamento da viagem. A expansão de novas rotas internacionais também favorece destinos fora dos grandes centros, reduzindo a sazonalidade e distribuindo melhor o fluxo turístico ao longo do ano.
O desafio, segundo especialistas, é alinhar operação, atendimento e proposta gastronômica ao novo patamar de exigência do público internacional. Sustentabilidade, valorização de produtores locais e gestão da reputação digital deixam de ser apenas discurso e passam a integrar a experiência percebida pelo cliente. Nesse contexto, bares e restaurantes que conseguem unir sabor, cultura e organização tendem a se destacar e aproveitar de forma mais consistente o crescimento do turismo internacional em 2026.
Fonte: Abrasel