Tema foi debatido no RN em Foco, evento promovido pela Fecomércio, nesta terça-feira (28), reunindo mais de 200 empresários
Embora a transição para o novo sistema ocorra de forma gradual até 2033, as primeiras exigências operacionais começam já em agosto deste ano, quando os sistemas e notas fiscais precisam ter os novos campos da reforma parametrizados. Sem isso, a empresa não emite nota.
A implementação da Reforma Tributária já exigirá mudanças operacionais das empresas a partir do próximo mês de agosto. Apesar da urgência do tema, 95% das empresas ainda não avaliaram absolutamente nada de uma reforma que impactará, inclusive, nas finanças, de modo que 93% dos empreendimentos vão precisar de mais caixa com as alterações proporcionadas pela reforma.
Os dados foram apresentados pelo head de Reforma Tributária da consultoria BWA Global, Thiago Diniz, no RN em Foco, evento promovido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio RN), nesta terça-feira (28), para discutir os prazos e os impactos das novas regras para as empresas.
Embora a transição para o novo sistema ocorra de forma gradual até 2033, as primeiras exigências operacionais começam já em agosto deste ano, quando os sistemas e notas fiscais precisam ter os novos campos da reforma parametrizados. Sem isso, a empresa não emite nota.
De acordo com Thiago Diniz, o maior impacto deve recair sobre o setor de serviços. “Vamos supor que a gente tenha um serviço que tributa 5,5%. Ele passa para 28% na reforma tributária. Então ele vai ser duramente atingido”, explica. “O serviço tem muito pouco crédito. Então, de fato, ele vai ter uma alíquota efetiva pesada”, afirma.
No comércio, ele diz que os efeitos tendem a variar conforme o perfil de cada empresa. A estrutura da cadeia de fornecedores, o enquadramento tributário e o tipo de cliente poderão tornar a reforma uma vantagem competitiva ou um fator de perda de margem. Embora os impactos sejam diferentes entre os setores, Thiago Diniz afirma que quem deverá sentir os maiores efeitos será o consumidor, já que a nova carga tributária tende a ser incorporada aos preços finais.
“O consumidor é quem vai sofrer o maior impacto da reforma tributária, porque o reflexo vai repercutir diretamente nos preços. Então a ponta sempre vai ser quem vai receber essa pancada maior”, ressalta.
Segundo o especialista, parte desse impacto pode ser reduzida por meio de planejamento tributário, revisão dos fornecedores e melhor aproveitamento dos créditos fiscais previstos no novo sistema. “É possível reverter o efeito mais forte buscando créditos, avaliando fornecedores, fazendo recolhimento pelo adquirente quando necessário. São medidas que a gente consegue, eu diria que diminuir esse impacto financeiro”, sugere.
Além das adaptações exigidas já a partir de agosto, a reforma prevê outras mudanças nos próximos anos. Em setembro de 2026, as empresas precisarão decidir se permanecem no Simples Nacional ou migram para outro regime tributário, com prazo para desistência da escolha até novembro. Em fevereiro de 2027, será emitido o primeiro boleto de recolhimento da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), marcando o início efetivo da cobrança dos novos tributos. Já em junho do mesmo ano, entra em vigor a arrecadação antecipada no momento do recebimento das vendas, o chamado split payment, que deverá alterar de forma definitiva o fluxo de caixa das empresas.
“Hoje o empresário recebe o valor da venda e gira esse capital por 40, 50, às vezes 60 dias. Agora, o dinheiro que vai ter no caixa para trabalhar, para girar, para fazer outras receitas, é muito menor. Então esse é o principal risco do split: diminuir fortemente o fluxo de caixa das empresas”, alerta.
Ainda segundo Thiago Diniz, apesar de a regulamentação já estar definida, a maioria das empresas ainda não iniciou sua adaptação. “Eu diria que mais de 90% dos empresários ainda não se debruçaram sobre a reforma tributária. Então o empresário que ainda não começou a fazer conta, não souber precificar, não souber buscar crédito com os fornecedores, muito possivelmente vai ficar no caminho, vai quebrar com a reforma tributária”, adverte.
Na avaliação do consultor, um dos erros mais comuns tem sido tratar a preparação para a reforma como um custo dispensável. “A reforma tributária precisa estar no dia a dia do empresário, do seu negócio, em como negociar, em como parametrizar os sistemas, configurar os sistemas e em como emitir seus documentos”, conclui.
Fecomércio discute adaptações à reforma
Thiago Diniz discorreu sobre as mudanças práticas trazidas pela reforma tributária na última edição do RN em Foco, realizado no Hotel-Escola Senac Barreira Roxa, em Natal. O evento reuniu mais de 200 empresários, gestores e representantes do setor produtivo.
“O Sistema Fecomércio RN acompanha esse processo com atenção, mas nossa missão não se limita à representação institucional. Ela também passa por preparar empresários, gestores e profissionais para compreender as mudanças em curso, avaliar seus impactos e identificar caminhos para uma adaptação segura e sustentável”, afirmou o presidente da Fecomércio RN, Marcelo Queiroz.
O advogado tributarista Vanildo Fausto complementou o debate orientando os empresários a iniciarem imediatamente a revisão dos processos internos. “A Reforma Tributária não é mais um futuro distante. Os empresários precisam se preparar agora, revisando contratos, avaliando a tomada de créditos e garantindo que os créditos de PIS e Cofins estejam devidamente levantados e registrados na escrituração fiscal”, orienta.
Cronograma da reforma tributária
Agosto/2026:
Sistemas e notas fiscais precisam ter os novos campos da reforma parametrizados. Sem isso, a empresa não emite nota
Setembro/2026:
Decisão sobre permanecer no Simples Nacional ou migrar de regime. Prazo para desistir da escolha: até novembro
Fevereiro/2027:
Chega o primeiro boleto do novo tributo (CBS e IBS). É quando a conta se torna real para quem não se planejou
Junho/2027:
Arrecadação antecipada pelo governo no momento do recebimento. O fluxo de caixa muda de forma definitiva
Checklist para o empresário
-Verificar se o sistema já emite notas com os novos campos fiscais da reforma;
-Definir, com projeção e não no achismo, se compensa permanecer no Simples Nacional;
-Fechar a DRE mensal e organizar o financeiro — é a base de qualquer decisão tributária;
-Treinar CEO, comercial, compras e financeiro no novo modelo de crédito e precificação;
-Buscar assessoria especializada para montar o plano tributário junto ao plano estratégico.
Fonte: Thiago Diniz / BWA Global / Tribuna do Norte