No RN, 45% dos restaurantes e bares registram perdas em janeiro

Quase metade dos bares e restaurantes do RN registra queda no faturamento em janeiro

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Levantamento da Abrasel RN aponta retração em 45% dos estabelecimentos no início do ano, período marcado por sazonalidade, despesas das famílias e mudanças no comportamento do consumidor

O início de 2026 trouxe desafios para o setor de bares e restaurantes no Rio Grande do Norte. Levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Norte (Abrasel RN) aponta que 45% dos empresários registraram queda no faturamento em janeiro na comparação com dezembro. No mesmo período, 40% relataram crescimento e 13% indicaram estabilidade.

A pesquisa foi realizada entre os dias 23 de fevereiro e 3 de março e também revelou que 25% dos estabelecimentos do Estado operaram com prejuízo em janeiro. O índice ficou ligeiramente acima da média nacional, que foi de 23%.

Apesar das dificuldades enfrentadas por parte do setor, o levantamento mostra que metade dos bares e restaurantes potiguares conseguiu registrar lucro no período analisado, enquanto 24% permaneceram em equilíbrio financeiro.

De acordo com o presidente da Abrasel RN, Thiago Machado, o início do ano costuma ser um período mais desafiador para o segmento, influenciado por fatores sazonais e pelo aumento das despesas das famílias.

“O início do ano é sempre mais desafiador, com muita gente viajando para as praias e, logo na sequência, o Carnaval. Além disso, há uma concentração de despesas típicas desse período, como IPTU, IPVA e gastos com a volta às aulas, o que acaba reduzindo o consumo”, afirma.

Mudanças no comportamento do consumidor

Para o economista Helder Cavalcanti, os resultados também devem ser analisados levando em consideração transformações mais amplas no comportamento do consumidor. Segundo ele, além dos fatores econômicos, há mudanças nos hábitos, especialmente entre os públicos mais jovens.

Ele observa que há uma tendência crescente de maior conexão com o ambiente digital e de adoção de hábitos ligados à saúde e ao bem-estar, o que pode influenciar a frequência em bares e restaurantes.

Outro fator que impacta o consumo é o cenário econômico. A taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, contribui para a redução do poder de compra da população. Além disso, o comportamento dos preços também influencia as escolhas do consumidor.

“Fora que a inflação dos alimentos, a nível de supermercado, está em queda, enquanto que a de alimentos preparados fora de casa está um pouco acima. Isso motiva muitas pessoas a optarem por refeições caseiras, aproveitando o período de férias e reduzindo seus custos com alimentação fora de casa”, completa.

Ainda segundo o economista, as mudanças de comportamento não significam necessariamente retração permanente do consumo, mas uma reorganização das preferências.

“Quando há essa mudança de comportamento, a economia responde de forma dinâmica. O consumo não desaparece, mas se reorganiza. Pessoas que antes frequentavam bares à noite podem estar priorizando atividades físicas, corridas ou outras práticas relacionadas à saúde e ao bem-estar”, compartilha o economista.

Pressão de custos e dificuldade para reajustar preços

A pesquisa também revela que muitos empresários enfrentam dificuldades para repassar aumentos de custos ao consumidor. No Rio Grande do Norte, 37% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar os preços nos últimos 12 meses.

Outros 54% realizaram reajustes iguais ou abaixo da inflação, enquanto apenas 9% conseguiram aplicar aumentos acima do índice inflacionário.

Helder Cavalcanti explica que, quando os custos sobem e os empresários não conseguem repassar esses valores ao consumidor, ocorre uma redução das margens de lucro.

“Por isso, muitos empresários acabam optando por reajustes menores ou por absorver parte desses custos. É uma forma de preservar o fluxo de clientes em um setor altamente competitivo e muito sensível às condições econômicas das famílias”, esclarece.

No cenário nacional, 57% dos empresários relataram queda no faturamento em janeiro na comparação com dezembro, percentual superior ao registrado no Rio Grande do Norte.

Perspectivas para o restante do ano

Apesar do início de ano desafiador, representantes do setor acreditam em oportunidades de recuperação ao longo de 2026. Para o presidente da Abrasel RN, fatores como grandes eventos e feriados prolongados podem contribuir para impulsionar a atividade.

“Ao longo do ano, o segmento deve encontrar boas oportunidades de crescimento, impulsionado pela Copa do Mundo e pelos feriados prolongados”, diz Thiago Machado.

O economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon/RN), também avalia que o setor tende a recuperar o movimento nos próximos meses.

“Isso já está muito evidente aqui mesmo em Natal, com os restaurantes voltando a ficar lotados, bem como os pedidos pelo delivery voltando com grande intensidade”, aponta.

Fonte: Tribuna do Norte

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