Setor de bares e restaurantes pode enfrentar aumento de até 10% nos cardápios, segundo a Fhoresp
O setor de alimentação fora do lar no Brasil pode ser diretamente afetado pelo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra o Brasil, previsto para entrar em vigor no próximo dia 1º. A medida, que impõe sobretaxas a produtos brasileiros, deve gerar uma pressão no mercado interno sobre alimentos como café, carnes, pescados e suco de laranja — itens essenciais na cadeia de suprimentos de bares, restaurantes e lanchonetes.
A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) alerta que essa nova política tarifária terá reflexos em toda a cadeia produtiva. “Estes alimentos terão toda a cadeia produtiva impactada. O café, por exemplo, pode perder até 30% da sua produção em exportação, o que acarretaria num aumento de até 6% no preço interno. Num possível cenário de recessão econômica, carnes [bovina e suína] e pescados também deverão ter os preços reajustados ao mercado interno para cobrir custos de produção”, explica a entidade em nota.
Repercussão e preocupação com o médio e longo prazo
A Fhoresp projeta que os impactos no setor deverão ser mais sentidos a médio e longo prazo, com aumentos estimados em até 10% nos cardápios dos estabelecimentos. O cenário preocupa empresários e entidades representativas da categoria.
Para Edson Pinto, diretor-executivo da Fhoresp, a situação é grave e exige atenção do governo brasileiro. “Temos de colocar todos os cenários à mesa, para que o Brasil entenda o que pode estar por vir, inclusive, um quadro de recessão econômica. No médio e longo prazo, o mercado interno deve sofrer com impactos em toda a cadeia produtiva, sobretudo no agronegócio”, disse.
Pinto classificou a medida norte-americana como “catastrófica” e defendeu uma resposta estratégica. “Um franco ataque à cadeia do agronegócio brasileiro”, afirmou, sugerindo ações diplomáticas urgentes para conter os possíveis prejuízos ao setor.