Levantamento da Abrasel revela que negócios que representam quase 90% do setor são os mais afetados por inadimplência, baixa lucratividade e dificuldade de repassar custos.
As micro e pequenas empresas do setor de alimentação fora do lar — especialmente os Microempreendedores Individuais (MEIs) e microempresas — vivem um momento delicado em 2025. Uma pesquisa nacional realizada pela Abrasel, com 2.565 empresários entrevistados em julho, mostra que esses negócios, que representam cerca de 89% do setor, são os mais impactados por dívidas, dificuldade de reajustar preços e baixa rentabilidade.
Entre as microempresas, que faturam entre R$ 81 mil e R$ 360 mil por ano, 44% estão com pagamentos em atraso, índice superior à média nacional (37%). Além disso, 42% não conseguiram repassar a inflação para os preços do cardápio no último ano, contra 37% na média geral. Apenas 32,5% registraram lucro em junho de 2025, enquanto 45% operaram no ponto de equilíbrio e 22% tiveram prejuízo.
A situação dos MEIs também preocupa: 42,6% não conseguiram reajustar preços e 36,5% estão inadimplentes. Apenas 25,4% obtiveram lucro no período. Já entre empresas com faturamento superior a R$ 4,8 milhões, 61% tiveram lucro, somente 15% registraram prejuízo e 76% estão com as contas em dia.
Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, os números evidenciam a necessidade de atenção especial aos pequenos negócios: “As microempresas e MEIs são a base do setor, respondendo por quase 90% dos estabelecimentos. No entanto, são também as mais vulneráveis, com menos margem para reajustar preços e maior exposição ao endividamento. Com os juros altos que temos no Brasil, fica ainda mais difícil para os pequenos conseguir capital de giro e tocar o negócio.”
Diferenças por tipo de estabelecimento
O estudo também aponta contrastes entre bares, lanchonetes e restaurantes. Os restaurantes apresentaram o melhor desempenho, com 41% registrando lucro em junho, contra 36% dos bares e 37% das lanchonetes.
No entanto, os bares enfrentam mais dificuldades: 43% estão inadimplentes, contra 39% das lanchonetes e 35% dos restaurantes. A dificuldade de repassar a inflação é ligeiramente maior nas lanchonetes (39%), seguida por bares e restaurantes (37%).
Segundo Paulo Solmucci, a vulnerabilidade do segmento de bares é resultado de uma combinação de fatores: “Quase 95% dos bares e botecos no Brasil faturam até R$ 360 mil no ano, isso explica parte da dificuldade maior neste segmento. Mas não é só. Os bares tiveram um impacto maior da pandemia e, portanto, demoram mais para se recuperar, o que mostra o altíssimo nível de endividamento neste segmento. É fundamental que políticas de apoio considerem essas diferenças.”
Fonte: Abrasel