Aumento no fluxo de estrangeiros até novembro de 2025 anima o trade turístico, mas desafios de competitividade seguem no radar
O turismo internacional no Rio Grande do Norte apresentou crescimento de 26,57% entre janeiro e novembro de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ao todo, o estado recebeu 28,7 mil turistas estrangeiros ao longo desses 11 meses, segundo dados divulgados pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur). O desempenho reforça a importância do setor para a economia potiguar, embora entidades representativas apontem a necessidade de novos investimentos para ampliar a competitividade do destino.
No recorte regional, o RN teve o terceiro menor percentual de crescimento entre os estados do Nordeste, superando apenas Ceará e Alagoas. Maranhão, Paraíba e Bahia lideraram o ranking percentual, ainda que, nos dois primeiros casos, com volumes absolutos inferiores aos registrados em território potiguar.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio Grande do Norte (ABIH-RN), Edmar Gadelha, o resultado acompanha a tendência nacional de retomada do turismo internacional, impulsionada por ações promocionais e pela melhoria da conectividade aérea. “Nós percebemos um aumento da média ocupacional dos hotéis em relação a esse turismo internacional e tivemos um crescimento mais expressivo, especialmente proveniente do mercado argentino, que é o nosso principal mercado emissor internacional”, afirmou.
Argentina lidera emissões; ocupação hoteleira mantém bons índices
Em âmbito nacional, o Brasil registrou 8,3 milhões de entradas de turistas estrangeiros em 2025, sendo 3,1 milhões provenientes da Argentina. No Rio Grande do Norte, o país vizinho também lidera o ranking, com 11,3 mil visitantes. Na sequência aparecem Portugal, Itália, França e Espanha, consolidando a presença de mercados europeus estratégicos para o estado.
A expectativa para o último mês do ano também é positiva. Segundo projeções da ABIH-RN, a ocupação hoteleira deve alcançar 76% em dezembro, 78% em janeiro, com picos de 89% no Réveillon e 79% no período do Natal, refletindo o aquecimento da demanda, especialmente na alta estação.
Para o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no RN (Abav/RN), Antônio Neto, o crescimento tem reflexos diretos no turismo receptivo e no mercado de agências. Ele destaca que o avanço do fluxo internacional amplia a procura por serviços como pacotes organizados e traslados, fortalecendo a cadeia turística como um todo. Segundo o dirigente, a predominância de países como Argentina e Portugal reflete fatores como proximidade cultural, histórica e maior conectividade com o Brasil.
Promoção internacional avança, mas competitividade ainda é desafio
A Fecomércio RN avalia que o desempenho recente está associado, entre outros fatores, à desvalorização cambial e às ações de promoção do destino no exterior. A entidade ressalta ainda que o número de chegadas internacionais registrado em 2025 já supera os totais observados nos anos completos de 2018 e 2019, período anterior à pandemia.
Apesar do cenário positivo, representantes do setor alertam que o crescimento mais robusto do turismo internacional depende de novos investimentos. Edmar Gadelha aponta a necessidade de ampliar ações de promoção, fortalecer parcerias com grandes operadoras e avançar em políticas fiscais, como a isenção do querosene de aviação (QAV). “O que existe, na realidade, é que nós temos mais procura do que venda efetiva. Ou seja, o destino é consolidado como procurado e está entre os cinco primeiros lugares do Brasil, mas não enxergamos a conversão dessa busca tão expressiva em vendas, justamente pela falta de competitividade que temos em relação aos outros estados”, argumentou.
A Secretaria de Turismo do Estado reconhece que a disputa pelo turista internacional é acirrada no Nordeste, mas afirma que tem intensificado ações promocionais em parceria com a Emprotur/RN, companhias aéreas, Embratur e o trade turístico. Para Antônio Neto, desafios como a ampliação da malha aérea internacional e a diversificação de mercados emissores continuam sendo determinantes para que o Rio Grande do Norte avance de forma mais equilibrada frente aos estados vizinhos.
Fonte: Tribuna do Norte